8.12.07

A subversão do espírito de Natal

Os ornamentos, enfeites e luzes foram colocados nas ruas e nos lares, tal como nas lojas que se apresentam recheadas e cuidadosamente adornadas com a temática da época; os ruídos e murmúrios dos espaços públicos e comerciais são abafados pela música alusiva a esta quadra; os anúncios inundam os meios de comunicação social sendo veiculados em todos os suportes possíveis; promovem-se peditórios e eventos com fins de solidariedade; lançam-se novos produtos e criam-se campanhas exclusivas; as indústrias livreiras, cinematográficas e discográficas desenvolvem produtos especiais para a temporada.

Os altos funcionários da nação são presenteados por indivíduos que esperam auferir favores, cunhas e regalias. Os patrões procuram tranquilizar a consciência oferecendo alguma coisa aos empregados.
As crianças ricas pedem ou exigem todos os brinquedos que vêem na publicidade, enquanto que as pobres e remediadas sonham vir a tê-los. Contam-se os familiares, os amigos e até os inimigos a quem devemos mimar com uma lembrança. Os mais precavidos começam a fazer as compras meses antes, assim a “dolorosa” parece que dói menos, os restantes procuram esticar o orçamento de Dezembro, o 13.º mês ou o crédito, numa insana demanda em lojas, hipermercados e centros comerciais.

Tudo se exalta: o amor, a amizade, a sinceridade pelos que se prezam; a solidariedade, o altruísmo pelos que precisam; o cinismo, o fingimento, o contragosto pelos indesejados.

São organizados almoços e jantares nas empresas, festas nas escolas e instituições. Multiplicam-se as animações de rua, os homens mascarados de pai natal, presépios e presépios vivos e árvores de natal. É montada a cidade do natal e a árvore que parece ser maior do que as outras todas. Presentes, lembranças, prendas, postais, cartas, encomendas, telefonemas e finalmente os Sms’s a entupirem a rede móvel.

Planeia-se a noite da consoada e o dia seguinte, e quando a família é grande elege-se a casa onde serão passadas as horas festivas. Os que podem deixam as tarefas para os empregados ou criados, os assim-assim contratam um catering os outros lançam-se numa azáfama extenuante que se inicia com a escolha da ementa e compra dos ingredientes, passando pela confecção das iguarias, até à arrumação da casa, à decoração e preparação da mesa, ao servir os comensais e finalmente voltar a limpar e arrumar tudo, sempre com um grande sorriso e sem esboçar qualquer manifestação de cansaço.

Quando chega a hora trocam-se os presentes: toma lá, dá cá! Nada faz falta, quase tudo é supérfluo, mas tinha de ser comprado e oferecido! No final colocam-se os papéis, a fitas e os laços no lixo e junta-se o monte dos presentes ainda sem destino a um canto. Procura-se então arranjar fôlego para as doze passas da semana seguinte.

Fica por lembrar o verdadeiro sentido do Natal!
Foram oferecidas inutilidades a quem tudo tem e o dinheiro dispendido poderia ter sido usado para auxiliar aqueles que não ousam a sonhar com o Natal.
Não é a obrigação de oferecer presentes aos familiares e amigos que nos torna solidários e generosos.

Mais uma vez o saco do pai natal repleto de inutilidades que invocam a frivolidade, o consumismo e a ostentação esmaga a mensagem de amor, alegria e de esperança contida em cada presépio. Afinal será que a humanidade ainda se lembra que o Natal é a comemoração do nascimento de Jesus?


Imagem extraída do banco de imagens do Google.

7.12.07

Ajude as crianças desfavorecidas a sorrirem no Natal

Está decorrer uma campanha de solidariedade organizada pelo Sr. Padre Abílio, onde quem quiser pode contribuir com brinquedos, roupas ou alimentos, que serão depositados na capela baptismal da igreja de São Teotónio.

Paralelamente reproduzimos um apelo veiculado em diversos meios de comunicação com o intuito de sensibilizar os leitores do blog:

Aliados no Natal é o nome da campanha de Natal que a Taipa - Organização Cooperativa para o Desenvolvimento Integrado do Concelho de Odemira, está a promover durante o mês de Dezembro, para a recolha de presentes, que serão oferecidos às crianças mais desfavorecidas de várias localidades do concelho.

Multiplicar os presentes do Pai Natal e fazer felizes muitas mais crianças é o objectivo desta campanha que se repete pelo quinto ano consecutivo, tentando despertar e incentivar a solidariedade entre toda a população odemirense.

Até ao dia 10 de Dezembro, quem quiser contribuir pode doar brinquedos com os quais filhos, netos e sobrinhos já não brincam, sendo os locais de recepção as sedes das Juntas de Freguesia do concelho, sedes de Agrupamentos Escolares (em Colos, Sabóia, Odemira, S. Teotónio e Vila nova de Milfontes), no Colégio Nossa Senhora da Graça (Vila Nova de Milfontes) e Escolas Secundária e Profissional de Odemira.

Os presentes serão depois preparados para distribuição pela Taipa, através dos seus colaboradores e voluntários. A entrega dos presentes será da responsabilidade do Pai Natal e dos seus Ajudantes, que irão percorrer as várias localidades do concelho, entre os dias 18 e 21 de Dezembro.

No ano passado foram recolhidos mais de 1000 presentes, que contribuíram para o sorriso de muitas crianças do concelho. Esta iniciativa só é possível com a participação e a solidariedade de todos. Porque não há nada mais recompensador do que o sorriso das crianças, fica o desafio para colaborar com os Aliados do Natal. ”


Texto Extraído da Edição Online de 6 de Dezembro do Jornal do Barlavento.
Imagem Extraída do banco de imagens do Google.

4.12.07

Será que o topónimo Malavado pode vir a cheirar melhor?


O topónimo surge na literatura, em mapas e placas à beira da estrada. Todos lêem o nome desta localidade de São Teotónio, quer sejam viajantes, turistas ou habitantes da região. A ortografia é explícita, contudo suscita dúvidas e equívocos sempre que o vocábulo é pronunciado, a ponto de estarem a surgir referências à localidade em mapas e roteiros com o topónimo original adulterado (Mal Lavado em vez de Malavado).

Devemos então pronunciar malavádo, málavado ou mal lavado?

Socorramo-nos então da prosódia ou ortoépia de modo a que as regras da boa pronúncia sejam aplicadas, talvez assim o vocábulo adquira outro aroma!

21.11.07

Ocasos outonais…


Logo após a brandura das temperaturas estivais, o Outono irrompeu com ventos e chuvas tempestuosas que faziam adivinhar a antecipação do tempo frio. Porém, durante o mês de Outubro os calores abrasadores fizeram regressar o verão e como dos incêndios Portugal não se livra, o território foi assolado por uma vaga de fogos que devastaram em poucos dias tudo aquilo que ficou por arder depois da estação quente.

Entrámos em Novembro e as temperaturas permaneceram quentes e no fim-de-semana grande as praias receberam muitos visitantes e até banhistas que se aventuraram nas águas atlânticas!

Os meios de comunicação social, ávidos de notícias calamitosas começaram a anunciar que a ausência de pluviosidade era o presságio da seca, prevendo cenários apocalípticos para o país e para as actividades económicas.

Ao longo dos últimos dias o tempo frio tem vindo a instalar-se e os recentes aguaceiros têm contrariado as previsões de seca, todavia os calores que se registaram neste Outono foram realmente invulgares e São Teotónio foi uma das localidades onde se verificaram as temperaturas mais elevadas. Foi na primeira semana de Novembro que a Agência Lusa divulgou uma informação relativa a estas peculiaridades meteorológicas que reproduzimos parcialmente:

“Dois terços do território português estão em situação de seca fraca desde Outubro, devido às elevadas temperaturas para a época e à falta de chuva, o que já obrigou a limitar a exploração hidroeléctrica de algumas barragens."
"Houve um alargamento da área em situação de seca fraca, que atingia no final do mês de Outubro dois terços do território", disse à Lusa Luís Filipe Nunes, responsável pela divisão de observação meteorológica e do clima do Instituto de Meteorologia (IM).
O mesmo não acontecia no mês anterior, já que a 30 de Setembro quase todo o território estava em situação normal (76 por cento) e apenas parte do interior do Alentejo em situação de seca fraca (16 por cento).O passado mês de Outubro foi o mais seco deste século e o segundo mais seco dos últimos dezoito anos, com uma precipitação de apenas 35,4 milímetros, bastante inferior à média (92,5 milímetros) registada entre a década de 40 e 1998.
No mês de Outubro, a temperatura média foi superior à normal (mais 0,2 graus) em todo o território continental, com excepção de algumas zonas do Interior Norte e Centro. Mas o mais relevante é o que diz respeito às temperaturas máximas."Houve uma persistência de temperaturas máximas iguais ou superiores a 25 graus numa extensa área do território", explicou.
Em Alcácer do Sal, por exemplo, registaram-se 22 dias com temperaturas iguais ou superiores a 25 graus. Em Lisboa, Estremoz e Faro, as temperaturas subiram acima dos 25 graus durante onze dias.
No mês de Outubro houve mesmo valores superiores a 30 graus em Alcácer do Sal, Alcobaça, Alvalade do Sado, Mértola, Sines e São Teotónio (Odemira).
Mas nenhuma destas situações é completamente fora do normal, apesar dos sinais de persistência de temperaturas elevadas, salientou o técnico do IM. No ano passado, a média da temperatura média do ar no Outono (Setembro, Outubro e Novembro) foi cerca de 1,55 graus acima do valor médio do período de referência de 1961-1990, tendo sido o terceiro Outono mais quente desde 1931. No entanto, o Outono de 2006 foi também o terceiro mais chuvoso dos últimos 42 anos.”

5.11.07

Os Mosqueteiros...


Agora foi de vez! Os Mosqueteiros instalaram-se em São Teotónio com um ponto de venda Intermarché!

Desde há muito que os camiões de mercadorias com a insígnia do Grupo Mosqueteiros vinham abastecer o antigo Marrachinho, que ao longo desta semana tem sido progressivamente transfigurado com o propósito de adquirir a imagem padrão desta marca de distribuição francesa, que opera em Portugal segundo um regime misto de cooperativismo e de franchising.

Esta alteração estende-se a todos os supermercados Marrachinho, que até ao final de 2007 serão adaptados ao conceito/imagem do grupo Mosqueteiros. A cadeia de supermercados Marrachinho operava no sul do país desde 1970 e promovia grandemente os produtos desta região. No início deste ano a comunicação social começou a anunciar o fim desta empresa, que foi adquirida pelos Mosqueteiros.

Em São Teotónio, não sendo esta situação uma novidade, até porque já nos meses de Verão os clientes do Marrachinho eram azucrinados com a rádio mosqueteiros, ficou sempre a dúvida entre população se a freguesia suportaria um Intermarché ou um Ecomarché, já que as regras do grupo ditam que os ecos são instalados em zonas mais rurais. Fontes bem informadas revelaram-nos há algum tempo atrás que o Marrachinho daria lugar a um Intermarché, cuja dimensão (entre os 1000 e os 2000 metros quadrados de área) se ajusta a áreas mais densificadas. Como seria de esperar as nossas fontes estavam correctas e a nossa vilazinha foi brindada com um Intermarché, facto que nos leva a supor que somos maiores do que pensamos.


Resta-nos desejar sucesso ao gestor/aderente deste ponto de venda e sugerir-lhe que baixe duas coisas: o volume da rádio mosqueteiros e os preços! Sim! Os preços! Porque agora é que estamos tramados… com a presença dos Mosqueteiros em Odemira e simultaneamente em São Teotónio o consumidor fica sem muitas alternativas, e se não há concorrência os preços não baixam! Bem… resta-nos sempre o comércio tradicional!

28.10.07

Catarina Furtado & João Reis


O público-alvo da imprensa cor-de-rosa costuma desfolhar as revistas esperando encontrar intrigas picantes, coscuvilhices e os podres de gente famosa ou elitista. Entre as personalidades mais exploradas por este tipo de publicações encontramos a apresentadora Catarina Furtado, a sua família e mais recentemente o seu marido, o actor João Reis. À semelhança de outros tempos, ao longo das últimas semanas essas revistas têm dedicado vários artigos à apresentadora Catarina Furtado e à sua vida privada.

Nada disso pareceria estranho, porém a reportagem recentemente publicada pela revista "Tv Sete Dias" expõe alguns pormenores da vida familiar deste casal, nomeadamente a existência de um elo de ligação à nossa vilazinha. Não fosse São Teotónio o cenário deste enredo e esta não seria certamente uma temática digna de registo neste blogue. A reportagem revela-nos que a mãe, a irmã e os sobrinhos do actor João Reis residem actualmente em São Teotónio, numa casa situada na rua Dr. Jaurés Delgadinho e que subsistem com grandes dificuldades económicas. Estando a irmã desempregada e sendo a mãe reformada, todos dependem do cunhado que trabalha como taxista em Lisboa.

A reportagem procura esmiuçar o tema com o intuito de encontrar pormenores sórdidos, dívidas e relações conflituosas entre a família do actor João Reis e os senhorios, os comerciantes e as gentes da vila. Ao longo do artigo é também revelado que o actor João Reis não mantém o contacto com a sua família e nem a auxilia monetariamente.

Não pretendemos transcrever esta reportagem, mas importa aqui lembrar a sordidez deste tipo de publicações que exploram as vulnerabilidades e enlameiam a vida privada e a carreira de todos aqueles que são susceptíveis de aparecer nas suas páginas. A intimidade da família do actor João Reis, ele próprio e a apresentadora Catarina Furtado foram humilhados e enxovalhados. Por outro lado, São Teotónio foi relatado como um insignificante lugarejo, onde os seus habitantes foram apresentados sem direito a apelido ou qualquer tipo de deferência.

É certo que existe uma diferença abissal entre a vida deste casal e o simples quotidiano das gentes de São Teotónio, e que o bairro do Restelo e a moradia luxuosa onde reside a apresentadora e actriz Catarina Furtado em nada se compara à pequena casa alugada pela família do marido, são mundos distintos, que raramente se tocam!

Não sabemos as causas da desarmonia familiar, nem sabemos sequer se a situação deste agregado familiar foi correctamente retratada por esta publicação. Sabemos porém que esta família vive na nossa vila e que possivelmente está atravessar uma fase conturbada e penosa. Numa época em que tanto se fala da pobreza em Portugal, parece-nos apropriado lembrar que a par desta família muitas outras vivem dificuldades económicas.

Existindo em São Teotónio tanta gente altruísta e solidária, lançamos aqui um desafio, pedindo auxílio a todos aqueles que se preocupam com o próximo! Cremos que é possível criar uma estratégia sustentada que resolva as necessidades mais prementes ou imediatas destas pessoas e lance as bases para que estas possam ser autónomas, oferecendo-lhes trabalho ou oportunidades de escolarização e profissionalização, cujo o objectivo contemple a independência e autonomia e não fomente habitual dependência da caridade!
Será possível erradicar a pobreza de São Teotónio?
Esperamos que alguém sussurre esta mensagem a quem manda!
(Imagem extraída da edição n.º 1075 da revista "Tv Sete Dias".)

18.10.07

O caranguejo da Zambujeira

Se a D. Almerinda visse isto! Até no Youtube gozam com o caranguejo...