23.12.07

Feliz Natal



















Imagem Extraída do Banco de Imagens do Google.

20.12.07

Eleições no Lar de São Teotónio


No passado fim-de-semana realizaram-se as eleições para a presidência do lar de São Teotónio.

Foi escolhida a equipa B que conta com a participação do Sr. Capitão Barreiros, do Sr. Cláudio Percheiro; do Sr. Manuel José Matos (Manuel Zé); das Senhoras Professoras Maria do Rosário Elias e Dulce Raposo e da Sr.ª Dr.ª Teresa Gaspar entre outros.

Felicitamos a equipa vencedora e desejamos que seja bem sucedida a realizar o árduo trabalho que há por fazer!

14.12.07

Faça as compras de Natal em São Teotónio!

Os presentes de Natal
deixam-no em stress?

Todos sabemos que a escolha dos presentes nem sempre é fácil, pois todos os anos procuramos surpresas especiais para os nossos familiares e amigos. Por vezes adiamos as compras de tal forma que esta época se torna verdadeiramente angustiante.

Para evitar o habitual stress natalício, sugerimos que não perca tempo a deslocar-se a outras localidades ou centros urbanos à procura de lembrança invulgares, aqui em São Teotónio pode encontrar tudo e sempre “ajuda” os comerciantes locais. Comece por contar o número de presentes e o orçamento disponível, e reserve algumas horas para fazer uma descontraída incursão pelas lojas, no final aproveite o brilho do sol e relaxe numa das esplanadas do Quintalão.

Para a preparação da consoada e do almoço de natal que exige uma eleição criteriosa dos ingredientes, recomendamos que faça com antecipação as suas encomendas aos comerciantes, assim poderá contar com as melhores iguarias. Pode por exemplo encomendar na praça de São Teotónio o peixe, as frutas e legumes de qualidade, e no talho do Costa as peças de carne; no João Pedro (Alisuper) reserve um bacalhau especial e mercearias finas.

E finalmente para decorar a preceito a mesa de Natal recolha no campo arbustos secos, pinhas e azevinho ou passe pelas floristas Nélia e Tilinha onde encontrará flores e ramagens para elaborar magníficos bouquets e centros de mesa.

Imagem Extraída do Banco de Imagens do Google.

8.12.07

A subversão do espírito de Natal

Os ornamentos, enfeites e luzes foram colocados nas ruas e nos lares, tal como nas lojas que se apresentam recheadas e cuidadosamente adornadas com a temática da época; os ruídos e murmúrios dos espaços públicos e comerciais são abafados pela música alusiva a esta quadra; os anúncios inundam os meios de comunicação social sendo veiculados em todos os suportes possíveis; promovem-se peditórios e eventos com fins de solidariedade; lançam-se novos produtos e criam-se campanhas exclusivas; as indústrias livreiras, cinematográficas e discográficas desenvolvem produtos especiais para a temporada.

Os altos funcionários da nação são presenteados por indivíduos que esperam auferir favores, cunhas e regalias. Os patrões procuram tranquilizar a consciência oferecendo alguma coisa aos empregados.
As crianças ricas pedem ou exigem todos os brinquedos que vêem na publicidade, enquanto que as pobres e remediadas sonham vir a tê-los. Contam-se os familiares, os amigos e até os inimigos a quem devemos mimar com uma lembrança. Os mais precavidos começam a fazer as compras meses antes, assim a “dolorosa” parece que dói menos, os restantes procuram esticar o orçamento de Dezembro, o 13.º mês ou o crédito, numa insana demanda em lojas, hipermercados e centros comerciais.

Tudo se exalta: o amor, a amizade, a sinceridade pelos que se prezam; a solidariedade, o altruísmo pelos que precisam; o cinismo, o fingimento, o contragosto pelos indesejados.

São organizados almoços e jantares nas empresas, festas nas escolas e instituições. Multiplicam-se as animações de rua, os homens mascarados de pai natal, presépios e presépios vivos e árvores de natal. É montada a cidade do natal e a árvore que parece ser maior do que as outras todas. Presentes, lembranças, prendas, postais, cartas, encomendas, telefonemas e finalmente os Sms’s a entupirem a rede móvel.

Planeia-se a noite da consoada e o dia seguinte, e quando a família é grande elege-se a casa onde serão passadas as horas festivas. Os que podem deixam as tarefas para os empregados ou criados, os assim-assim contratam um catering os outros lançam-se numa azáfama extenuante que se inicia com a escolha da ementa e compra dos ingredientes, passando pela confecção das iguarias, até à arrumação da casa, à decoração e preparação da mesa, ao servir os comensais e finalmente voltar a limpar e arrumar tudo, sempre com um grande sorriso e sem esboçar qualquer manifestação de cansaço.

Quando chega a hora trocam-se os presentes: toma lá, dá cá! Nada faz falta, quase tudo é supérfluo, mas tinha de ser comprado e oferecido! No final colocam-se os papéis, a fitas e os laços no lixo e junta-se o monte dos presentes ainda sem destino a um canto. Procura-se então arranjar fôlego para as doze passas da semana seguinte.

Fica por lembrar o verdadeiro sentido do Natal!
Foram oferecidas inutilidades a quem tudo tem e o dinheiro dispendido poderia ter sido usado para auxiliar aqueles que não ousam a sonhar com o Natal.
Não é a obrigação de oferecer presentes aos familiares e amigos que nos torna solidários e generosos.

Mais uma vez o saco do pai natal repleto de inutilidades que invocam a frivolidade, o consumismo e a ostentação esmaga a mensagem de amor, alegria e de esperança contida em cada presépio. Afinal será que a humanidade ainda se lembra que o Natal é a comemoração do nascimento de Jesus?


Imagem extraída do banco de imagens do Google.

7.12.07

Ajude as crianças desfavorecidas a sorrirem no Natal

Está decorrer uma campanha de solidariedade organizada pelo Sr. Padre Abílio, onde quem quiser pode contribuir com brinquedos, roupas ou alimentos, que serão depositados na capela baptismal da igreja de São Teotónio.

Paralelamente reproduzimos um apelo veiculado em diversos meios de comunicação com o intuito de sensibilizar os leitores do blog:

Aliados no Natal é o nome da campanha de Natal que a Taipa - Organização Cooperativa para o Desenvolvimento Integrado do Concelho de Odemira, está a promover durante o mês de Dezembro, para a recolha de presentes, que serão oferecidos às crianças mais desfavorecidas de várias localidades do concelho.

Multiplicar os presentes do Pai Natal e fazer felizes muitas mais crianças é o objectivo desta campanha que se repete pelo quinto ano consecutivo, tentando despertar e incentivar a solidariedade entre toda a população odemirense.

Até ao dia 10 de Dezembro, quem quiser contribuir pode doar brinquedos com os quais filhos, netos e sobrinhos já não brincam, sendo os locais de recepção as sedes das Juntas de Freguesia do concelho, sedes de Agrupamentos Escolares (em Colos, Sabóia, Odemira, S. Teotónio e Vila nova de Milfontes), no Colégio Nossa Senhora da Graça (Vila Nova de Milfontes) e Escolas Secundária e Profissional de Odemira.

Os presentes serão depois preparados para distribuição pela Taipa, através dos seus colaboradores e voluntários. A entrega dos presentes será da responsabilidade do Pai Natal e dos seus Ajudantes, que irão percorrer as várias localidades do concelho, entre os dias 18 e 21 de Dezembro.

No ano passado foram recolhidos mais de 1000 presentes, que contribuíram para o sorriso de muitas crianças do concelho. Esta iniciativa só é possível com a participação e a solidariedade de todos. Porque não há nada mais recompensador do que o sorriso das crianças, fica o desafio para colaborar com os Aliados do Natal. ”


Texto Extraído da Edição Online de 6 de Dezembro do Jornal do Barlavento.
Imagem Extraída do banco de imagens do Google.

4.12.07

Será que o topónimo Malavado pode vir a cheirar melhor?


O topónimo surge na literatura, em mapas e placas à beira da estrada. Todos lêem o nome desta localidade de São Teotónio, quer sejam viajantes, turistas ou habitantes da região. A ortografia é explícita, contudo suscita dúvidas e equívocos sempre que o vocábulo é pronunciado, a ponto de estarem a surgir referências à localidade em mapas e roteiros com o topónimo original adulterado (Mal Lavado em vez de Malavado).

Devemos então pronunciar malavádo, málavado ou mal lavado?

Socorramo-nos então da prosódia ou ortoépia de modo a que as regras da boa pronúncia sejam aplicadas, talvez assim o vocábulo adquira outro aroma!

21.11.07

Ocasos outonais…


Logo após a brandura das temperaturas estivais, o Outono irrompeu com ventos e chuvas tempestuosas que faziam adivinhar a antecipação do tempo frio. Porém, durante o mês de Outubro os calores abrasadores fizeram regressar o verão e como dos incêndios Portugal não se livra, o território foi assolado por uma vaga de fogos que devastaram em poucos dias tudo aquilo que ficou por arder depois da estação quente.

Entrámos em Novembro e as temperaturas permaneceram quentes e no fim-de-semana grande as praias receberam muitos visitantes e até banhistas que se aventuraram nas águas atlânticas!

Os meios de comunicação social, ávidos de notícias calamitosas começaram a anunciar que a ausência de pluviosidade era o presságio da seca, prevendo cenários apocalípticos para o país e para as actividades económicas.

Ao longo dos últimos dias o tempo frio tem vindo a instalar-se e os recentes aguaceiros têm contrariado as previsões de seca, todavia os calores que se registaram neste Outono foram realmente invulgares e São Teotónio foi uma das localidades onde se verificaram as temperaturas mais elevadas. Foi na primeira semana de Novembro que a Agência Lusa divulgou uma informação relativa a estas peculiaridades meteorológicas que reproduzimos parcialmente:

“Dois terços do território português estão em situação de seca fraca desde Outubro, devido às elevadas temperaturas para a época e à falta de chuva, o que já obrigou a limitar a exploração hidroeléctrica de algumas barragens."
"Houve um alargamento da área em situação de seca fraca, que atingia no final do mês de Outubro dois terços do território", disse à Lusa Luís Filipe Nunes, responsável pela divisão de observação meteorológica e do clima do Instituto de Meteorologia (IM).
O mesmo não acontecia no mês anterior, já que a 30 de Setembro quase todo o território estava em situação normal (76 por cento) e apenas parte do interior do Alentejo em situação de seca fraca (16 por cento).O passado mês de Outubro foi o mais seco deste século e o segundo mais seco dos últimos dezoito anos, com uma precipitação de apenas 35,4 milímetros, bastante inferior à média (92,5 milímetros) registada entre a década de 40 e 1998.
No mês de Outubro, a temperatura média foi superior à normal (mais 0,2 graus) em todo o território continental, com excepção de algumas zonas do Interior Norte e Centro. Mas o mais relevante é o que diz respeito às temperaturas máximas."Houve uma persistência de temperaturas máximas iguais ou superiores a 25 graus numa extensa área do território", explicou.
Em Alcácer do Sal, por exemplo, registaram-se 22 dias com temperaturas iguais ou superiores a 25 graus. Em Lisboa, Estremoz e Faro, as temperaturas subiram acima dos 25 graus durante onze dias.
No mês de Outubro houve mesmo valores superiores a 30 graus em Alcácer do Sal, Alcobaça, Alvalade do Sado, Mértola, Sines e São Teotónio (Odemira).
Mas nenhuma destas situações é completamente fora do normal, apesar dos sinais de persistência de temperaturas elevadas, salientou o técnico do IM. No ano passado, a média da temperatura média do ar no Outono (Setembro, Outubro e Novembro) foi cerca de 1,55 graus acima do valor médio do período de referência de 1961-1990, tendo sido o terceiro Outono mais quente desde 1931. No entanto, o Outono de 2006 foi também o terceiro mais chuvoso dos últimos 42 anos.”

5.11.07

Os Mosqueteiros...


Agora foi de vez! Os Mosqueteiros instalaram-se em São Teotónio com um ponto de venda Intermarché!

Desde há muito que os camiões de mercadorias com a insígnia do Grupo Mosqueteiros vinham abastecer o antigo Marrachinho, que ao longo desta semana tem sido progressivamente transfigurado com o propósito de adquirir a imagem padrão desta marca de distribuição francesa, que opera em Portugal segundo um regime misto de cooperativismo e de franchising.

Esta alteração estende-se a todos os supermercados Marrachinho, que até ao final de 2007 serão adaptados ao conceito/imagem do grupo Mosqueteiros. A cadeia de supermercados Marrachinho operava no sul do país desde 1970 e promovia grandemente os produtos desta região. No início deste ano a comunicação social começou a anunciar o fim desta empresa, que foi adquirida pelos Mosqueteiros.

Em São Teotónio, não sendo esta situação uma novidade, até porque já nos meses de Verão os clientes do Marrachinho eram azucrinados com a rádio mosqueteiros, ficou sempre a dúvida entre população se a freguesia suportaria um Intermarché ou um Ecomarché, já que as regras do grupo ditam que os ecos são instalados em zonas mais rurais. Fontes bem informadas revelaram-nos há algum tempo atrás que o Marrachinho daria lugar a um Intermarché, cuja dimensão (entre os 1000 e os 2000 metros quadrados de área) se ajusta a áreas mais densificadas. Como seria de esperar as nossas fontes estavam correctas e a nossa vilazinha foi brindada com um Intermarché, facto que nos leva a supor que somos maiores do que pensamos.


Resta-nos desejar sucesso ao gestor/aderente deste ponto de venda e sugerir-lhe que baixe duas coisas: o volume da rádio mosqueteiros e os preços! Sim! Os preços! Porque agora é que estamos tramados… com a presença dos Mosqueteiros em Odemira e simultaneamente em São Teotónio o consumidor fica sem muitas alternativas, e se não há concorrência os preços não baixam! Bem… resta-nos sempre o comércio tradicional!

28.10.07

Catarina Furtado & João Reis


O público-alvo da imprensa cor-de-rosa costuma desfolhar as revistas esperando encontrar intrigas picantes, coscuvilhices e os podres de gente famosa ou elitista. Entre as personalidades mais exploradas por este tipo de publicações encontramos a apresentadora Catarina Furtado, a sua família e mais recentemente o seu marido, o actor João Reis. À semelhança de outros tempos, ao longo das últimas semanas essas revistas têm dedicado vários artigos à apresentadora Catarina Furtado e à sua vida privada.

Nada disso pareceria estranho, porém a reportagem recentemente publicada pela revista "Tv Sete Dias" expõe alguns pormenores da vida familiar deste casal, nomeadamente a existência de um elo de ligação à nossa vilazinha. Não fosse São Teotónio o cenário deste enredo e esta não seria certamente uma temática digna de registo neste blogue. A reportagem revela-nos que a mãe, a irmã e os sobrinhos do actor João Reis residem actualmente em São Teotónio, numa casa situada na rua Dr. Jaurés Delgadinho e que subsistem com grandes dificuldades económicas. Estando a irmã desempregada e sendo a mãe reformada, todos dependem do cunhado que trabalha como taxista em Lisboa.

A reportagem procura esmiuçar o tema com o intuito de encontrar pormenores sórdidos, dívidas e relações conflituosas entre a família do actor João Reis e os senhorios, os comerciantes e as gentes da vila. Ao longo do artigo é também revelado que o actor João Reis não mantém o contacto com a sua família e nem a auxilia monetariamente.

Não pretendemos transcrever esta reportagem, mas importa aqui lembrar a sordidez deste tipo de publicações que exploram as vulnerabilidades e enlameiam a vida privada e a carreira de todos aqueles que são susceptíveis de aparecer nas suas páginas. A intimidade da família do actor João Reis, ele próprio e a apresentadora Catarina Furtado foram humilhados e enxovalhados. Por outro lado, São Teotónio foi relatado como um insignificante lugarejo, onde os seus habitantes foram apresentados sem direito a apelido ou qualquer tipo de deferência.

É certo que existe uma diferença abissal entre a vida deste casal e o simples quotidiano das gentes de São Teotónio, e que o bairro do Restelo e a moradia luxuosa onde reside a apresentadora e actriz Catarina Furtado em nada se compara à pequena casa alugada pela família do marido, são mundos distintos, que raramente se tocam!

Não sabemos as causas da desarmonia familiar, nem sabemos sequer se a situação deste agregado familiar foi correctamente retratada por esta publicação. Sabemos porém que esta família vive na nossa vila e que possivelmente está atravessar uma fase conturbada e penosa. Numa época em que tanto se fala da pobreza em Portugal, parece-nos apropriado lembrar que a par desta família muitas outras vivem dificuldades económicas.

Existindo em São Teotónio tanta gente altruísta e solidária, lançamos aqui um desafio, pedindo auxílio a todos aqueles que se preocupam com o próximo! Cremos que é possível criar uma estratégia sustentada que resolva as necessidades mais prementes ou imediatas destas pessoas e lance as bases para que estas possam ser autónomas, oferecendo-lhes trabalho ou oportunidades de escolarização e profissionalização, cujo o objectivo contemple a independência e autonomia e não fomente habitual dependência da caridade!
Será possível erradicar a pobreza de São Teotónio?
Esperamos que alguém sussurre esta mensagem a quem manda!
(Imagem extraída da edição n.º 1075 da revista "Tv Sete Dias".)

18.10.07

O caranguejo da Zambujeira

Se a D. Almerinda visse isto! Até no Youtube gozam com o caranguejo...

13.10.07

Bruxos e Satânicos




Yo no creo en las brujas pero que las hay... las hay!” Quando se fala destas “coisas” os nossos vizinhos espanhóis costumam utilizar este provérbio que agora lembramos por se adequar na perfeição para comentar certos fenómenos macabros ocorridos ao longo dos últimos anos no Alentejo Litoral.

Não sabemos o que é que se passa na cabeça das pessoas, nem porque é que vêm para cá… mas a região está a atrair um turismo negro que aqui desenvolve bruxarias e rituais satânicos. Desde há muito que se fala nestas paragens dos despojos encontrados nas matas, nas praias e em lugares ermos e dos gritos e barulhos que se ouvem, particularmente nas noites de Sexta-feira e de Sábado. Entre as zonas onde habitualmente se realizam estas práticas está o Pego das Pias, conhecido pelas melhores e piores razões! Porém no concelho de Odemira existem outros lugares que são procurados por esta gente, ainda no dia posterior à última lua cheia as ondas na Praia da Zambujeira arrastavam os restos daquilo que parecia ter sido um desses rituais.

Estas ocorrências atingiram uma dimensão que não passa despercebida e recentemente o semanário "Expresso" desenvolveu um artigo intitulado “Eles andam aí” na sua revista "Única". Segundo este semanário existe um “corredor negro” ao longo da costa alentejana, que compreende uma faixa entre Vila Nova de Santo André e Odemira. Nesta zona são realizados ritos satânicos; bruxarias; missas negras e adorações pagãs em que se sacrificam, mutilam e torturam animais e até pessoas, em que se consome álcool e substâncias que induzem a estados de euforia e êxtase; em que se recorre a variadíssimos apetrechos; elixires; bálsamos; velas; indumentárias e elementos simbólicos. Ligado a este tipo de práticas surge o assalto, o vandalismo e profanação de igrejas, cemitérios e símbolos cristãos com vários intuitos, nomeadamente o de obter hóstias sagradas e utensílios para a realização das cerimónias pagãs. É caso para se dizer Abrenúncio, Te Arrenego, Cruzes, Canhoto!
(Imagem extraída do artigo "Eles andam aí" publicado na Revista Única - Semanário Expresso.)

2.10.07

Fim de Verão



O final de Setembro marca o encerramento da época balnear e a chegada do tempo outonal que desde há muito se fazia anunciar… Ainda na Primavera os meios de comunicação social teciam cenários apocalípticos para o verão 2007, prevendo temperaturas elevadas, vagas de calor e incêndios incontáveis e inextinguíveis. Tal como foi previsto o verão foi realmente atípico, mas a previsões falharam… as temperaturas frescas, as chuvas e as tempestades comprometeram as férias de muitos veraneantes e prejudicaram o sector turístico, tendo em contrapartida impedido a habitual devastação incendiária que ocorre nesta época.
Agora que o Outono se instalou definitivamente resta-nos esperar que o tempo frio seja igualmente atípico com temperaturas amenas, sol radioso, céu limpo e pouca chuva!

18.9.07

Moda Outono/Inverno 07/08


ATENÇÃO FASHION VICTIMS!



Esqueçam a 5th Avenue em Nova Iorque; a Causeway Bay em Hong Kong; a Avenue des Champs-Elysées em Paris; a New Bond Street em Londres; a Via Condotti em Roma ou Ginza em Tóquio!

O Mercado Mensal e a Feira de Setembro em São Teotónio estão repletos de vestes, acessórios e adereços griffés, e até para comprarem jóias e relógios não precisam de todo ir até à Place Vendôme em Paris… o epicentro da moda é aqui mesmo na nossa vilazinha!


9.9.07

Nova Extensão de Saúde




Todos lamentamos as carências dos serviços de saúde no concelho de Odemira. As necessidades manifestam-se em todos os níveis, até na prevenção primária, mas é ao nível da emergência que as queixas da população se exacerbam! A distância entre Odemira e os Hospitais de Beja e de Santiago preocupa-nos e as soluções encontradas para resolver os casos mais graves têm falhado com frequência… e por vezes quando chegam as equipas do INEM já é tarde! É difícil resolver as questões da Saúde num concelho onde os médicos teimam em não preencher as vagas abertas pelo Serviço Nacional de Saúde e onde a população não tem meios económicos para aliciar a instalação de clínicas privadas.

As dimensões do concelho, a morfologia da ocupação do território, a complexidade das dinâmicas territoriais, a demografia flutuante (um número baixo de residentes em oposição ao aumento exponencial da população nos meses quentes) são factores pertinentes na determinação de um modelo que resolva eficazmente o problema da saúde em Odemira.

Por outro lado, a questão da distância relativamente ao Hospital de Beja ou de Santiago revela-se um problema complexo e a crise despoletada no início de 2007 foi apenas a mediatização de um dos casos que aqui ocorrem com frequência. Essa crise trouxe porém algumas promessas, nomeadamente a modernização do equipamento do Centro de Saúde de Odemira e a criação de um serviço de apoio paramédico através de uma viatura conduzida por enfermeiros.

Em São Teotónio esta situação é bem visível, agravada pela sua situação geográfica (no extremo sudoeste do concelho de Odemira), pela a vastidão da freguesia, pela dispersão dos povoados e pela fraca densidade populacional. No decorrer das últimas décadas a freguesia tem sido servida por uma Extensão de Saúde que hoje se revela obsoleta, não apresentando as condições necessárias para a prestação de cuidados de saúde básicos.






Para minorar os problemas resultantes da situação actual seria necessário implementar medidas que contemplassem a modernização de instalações e de equipamentos; o reequacionamento dos meios existentes e a flexibilização do pessoal disponível. A actual situação pode vir a ser mudada em breve, agora que foi aberto um concurso público para a construção de uma Nova Extensão de Saúde na II Série do Diário da Republica de 16 de Agosto de 2007.

Esperamos que esta nova Extensão de Saúde venha contribuir para melhorar a qualidade de vida das populações e possa constituir um apoio nos momentos mais difíceis, já que a distância que nos separa dos serviços de urgência deveria ser compensada não só pela existência de postos médicos modernos e bem equipados mas também pela contratação de pessoal qualificado que saiba responder às necessidades dos doentes de modo individualizado e acima de tudo humanizado!

31.8.07

São Teotónio em Festa!

A festa em honra de Nossa Senhora do Rosário decorrerá ao longo deste fim-de-semana e a noite de 31 de Agosto será marcada pela realização de uma Procissão de Velas e de um Baile com o músico Pedro Raposo.

O dia 1 de Setembro contará com o Lançamento de pára-quedistas, e a actuação dos grupos Canta São Teotónio; Ceifeiras de Malavado e Grupo Coral Alentejano de Tunes. O baile será animado pela dupla Nelson & Arménio.
No dia 2 de Setembro as cerimónias religiosas serão concluidas durante a manhã com a realização da procissão em honra da Nossa Senhora do Rosário. Ao longo da tarde os festejos contarão com a presença da Banda Filarmónica de Odemira; do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere; da Marcha do Cavaleiro; do Crupo Coral do Concelho de Castro Verde e da Banda BD. O encerramento da festa será marcado pela realização de um baile animado pela AS Band.

Somos tão colunáveis!

Desde o mês de Julho que o Ancão, a Quinta do Lago e praias adjacentes entraram em incandescência e as noites do Sul se tornaram verdadeiramente tórridas… A silly season atingiu o apogeu no mês de Agosto, mas as temperaturas ainda se mantêm no ponto de fusão, e enquanto Outono tarda em chegar vamos ficando pelo reino dos Algarves.

Apesar da distância, as novidades correm depressa e têm chegado até aqui ao Algarve os rumores das mexeriquices, boatos e maledicências que como todos sabemos são o élan que alimenta a vidinha de São Teotónio, mas como tudo tem o seu tempo reservamos esses assuntos para futuras postagens, já que hoje vamos falar de notícias – daquelas que são veiculadas pelos órgãos de comunicação social… Todos sabemos que o Litoral Alentejano está um must… enfim… está litoralíssimo! Mas não é de todo… um lugar de referência ou de passagem obrigatória no meio social para pessoas de nível elevadíssimo – “la crème de la crème”, contudo é seguramente um cenário fantasticamente alternativo para o descanso na estação quente!

Estamos numa época em que as notícias bombásticas rareiam e os "mass media" procuram avidamente hot news, daquelas que elevam as audiências e aumentam as vendas e na falta delas procuram soft & silly news daquelas que animam a época estival, repletas de "beautiful people" na sua "bella vita" exibindo a sua "joie de vivre".

Assim… enquanto descansamos em terras de mouros, temos tido os nossos ímpetos de saudade ao ler as notícias que foram publicadas em diversas revistas nacionais ao longo das últimas semanas. Claro que as tardes na praia e as festas da noite têm sido tremendas, mas… as manhãs são terríveis e é nesse período do dia que o cansaço e a vulnerabilidade assolam e tem acontecido irmos ao Centro Comercial da Quinta do Lago ou à esplanada do Gigi debicar um brunch e começamos a desfolhar uma revista e… lá está… o nosso querido Alentejo! Ainda bem que os nossos óculos são enormes e escuríssimos, caso contrário revelariam a nostalgia espelhada nos olhos.
Vá lá que os temas são muito ligeiros e singelos para não dizer enfadonhos, caso contrário, se fossem estimulantes, fantásticos e arrasadores teríamos de tomar umas infusões ou chás calmantes para que não fizéssemos as malas e rumássemos para a costa alentejana.


Quanto às notícias, não deixamos de concordar com o “colega” O Revisor do "Semanário Expresso" que manifesta a saturação pela insistência destas publicações em editarem sistematicamente o mesmo tipo de temas. Claro que estas seriam apenas mais umas reportagens sobre o Alentejo, não fossem determinados detalhes que encontrámos ao esmiuçá-las.

A revista "Visão" de 2 de Agosto exibe na sua capa uma foto do jornalista Luís Ribeiro a caminhar pela costa alentejana, remetendo-nos para uma “reportagem especial” com o curioso título “à descoberta (a pé) da costa alentejana – 150 kms, em 11 dias, por praias e falésias. O nosso litoral selvagem como nunca o viu.” Na página 8 da revista a redacção realça as dificuldades, a dureza da caminhada e a fadiga sentidas pelo jornalista, salientando que o objectivo principal desta aventura era “chegar mais além, ir a sítios inexplorados”, enfim… descobrir um litoral virgem e impoluto.

Ao chegarmos à página 78 iniciamos a grande aventura pelo nosso litoral e no final dessa grande caminhada não podemos esconder o orgulho quando o jornalista entra na freguesia de São Teotónio e nos mima com vários elogios chegando a afirmar que aqui se sentiu “agraciado com as mais fabulosas paisagens de todo o litoral.”

No início da reportagem Luís Ribeiro deixa transparecer um certo entusiasmo que se esvanece com a crueldade das desilusões sentidas ao longo do percurso, e certamente partilhamos com ele todo esse rol de sentimentos, pois a ideia de uma região comummente conhecida pela sua pobreza e pelo seu atraso tem sido associada à eterna fantasia de um Alentejo inexplorado, com recursos naturais por descobrir e com paisagens idílicas, paraísos intocados e oásis recônditos. É uma ideia errada! O Alentejo já está a ser conspurcado pela fúria do betão e a reportagem da revista "Visão" demonstra isso mesmo! A procura de uma costa intacta, perdida, esquecida e quase secreta revelou a soberba dos homens, a implacabilidade da economia e a ineficácia das políticas ambientalistas.

A revista “Sábado” apresenta na capa uma convidativa fotografia do Monte da Xica que nos remete para uma reportagem intitulada de “Os últimos refúgios do Alentejo” e em letras mais discretas o apetite do leitor é aguçado por um pequeno texto onde é prometido serem revelados lugares exclusivos e tranquilos – “Dez pequenos hotéis, no interior e no litoral, onde pode passar uns dias tranquilos neste verão. Descubra ainda quais são os melhores passeios, praias e restaurantes.” Desfolhando a revista deparamos na página 3 com o Sumário onde é reforçada a ideia de que serão revelados alguns segredos bastantes exclusivos com o seguinte texto – “Uns acabam de abrir, outros são velhos segredos bem guardados: do interior ao litoral, dez pequenos hotéis no Alentejo onde é possível escapar à confusão.”

Rumamos à anunciada página 40 e lemos em letras garrafais - “Férias longe da confusão” no canto superior surge em maiúsculas de corpo mais
modesto – “ Destinos. Os últimos refúgios do Alentejo” e por baixo, sob o título (perdoem-nos a incessável repetição em jeito de mega pleonasmo) é relembrado ao leitor que irá conhecer um Alentejo onde será mimado com “Jantares servidos em quartos com velas, pequenos-almoços deixados à porta para tomar quando quiser, fondue de chocolate com champanhe na cama” e novamente “Há tudo isto em hotéis perdidos no Alentejo. A Sábado mostra-lhe alguns dos melhores.”


Pois é… tudo pareceria normal, não fosse a inverosimilhança das afirmações… "Os últimos refúgios do Alentejo"? Onde? A Zambujeira do Mar, Vila Nova de Milfontes, Porto Covo, Santiago do Cacém… É certo que os lugares onde se situam as unidades de hospedagem e os seus arredores são tranquilos, mas quem conhece este Alentejo sabe que as praias são imensamente confusas nesta época. O surpreendente é que o Alentejo é na sua essência um imenso refúgio para quem busca isolamento, onde se podem excluir as praias e as áreas urbanizadas (vilas e cidades) e quem afirma que aqueles lugares/localidades são os últimos refúgios do Alentejo é porque não conhece o Alentejo ou porque não sabe o que é um refúgio!

Quanto à questão dos hotéis, esta parece-nos mais grave! Saberá esta gente o que são hotéis? Ou será que a falta de hotéis na região levou os repórteres a apelidarem de hotel qualquer estabelecimento que alugue quartos? O mais curioso é que sendo esta reportagem destinada a aguçar o apetite por sítios recônditos e pouco visitados, seria natural que o público gostasse de saber que nesta região existem pouquíssimos hotéis e a excelência na hospedagem é feita em unidades de Turismo em Espaço Rural e seus sucedâneos.


O paradoxo surge quando comparamos as reportagens das duas revistas, o jornalista da revista "Visão" lamenta a falta de hóteis no litoral Alentejano e a jornalista da revista "Sábado" descobriu dez hóteis e cinco deles aqui na nossa costa!

Ora… a legislação portuguesa é explícita e classifica os estabelecimentos hoteleiros em hotéis; hotéis-apartamentos; pensões; estalagens; móteis e pousadas remetendo o Turismo em Espaço Rural para outro regulamento. O Regime Jurídico do Funcionamento e Instalação dos Empreendimentos Turísticos refere que “os hotéis são classificados entre 5 a 1 estrela constituindo-se em pelo menos, 10 unidades de alojamento…”

Duvidamos assim que alguns dos estabelecimentos descritos na revista "Sábado" possam receber a designação de hotel, pelo simples facto dos requisitos para a instalação de unidades hoteleiras requererem níveis de qualificação que estes estabelecimentos não possuem – é visível e é notório! Por outro lado a legislação refere que um Hotel deve ter no mínimo 10 quartos (no caso do Monte da Xica por exemplo é referido que apenas possui três quartos).


A legislação menciona também que “em nome do princípio da veracidade, o hotel deve usar essa indicação no nome que adopte.”, impondo deste modo, que o nome do empreendimento contenha a palavra hotel e pela leitura da reportagem não encontrámos qualquer referência do género - Hotel Monte da Xica, Hotel Monte Estacada ou Hotel do Chora Cascas, concluímos assim que nestes estabelecimentos não existe qualquer terminologia na sua designação que as associe a este tipo de classificação - consequentemente não são hóteis!

As sugestões propostas pela revista são acompanhadas de uma explicação relativamente detalhada dos caminhos que levam os leitores até estes “hotéis” maravilhosos e esse esclarecimento revela-nos que a revista "Sábado" não é escrita para portugueses do sul, pois os algarvios e alentejanos não têm direito a qualquer indicação (comprem Gps!).


A reportagem realça também a magia desses hotéis mencionando até que o Monte da Xica já foi considerado um dos locais mais românticos de Portugal! Pois bem, para os leitores do blog que quiserem fazer uma escapadela romântica, aqui sugerimos alguns lugares realmente românticos, mágicos e imbuídos de espírito intimista (porque nos parece que essa gente não sabe bem o que é o romantismo). No concelho de Odemira propomos a Pousada de Santa Clara-a-Velha, e nos arredores o Spa Resort das Caldas de Monchique. Em Sintra aconselhamos o Hotel Tivoli Palácio de Seteais e em Coimbra o Hotel da Quinta das Lágrimas (profundamente ligado ao amor de Pedro e Inês). Mais a Norte sugerimos as termas da Cúria (por exemplo o Grande Hotel da Cúria), ou o Luso e Buçaco (por exemplo o Palace Hotel do Buçaco). E para que a escapadela seja memorável façam-se acompanhar da melhor companhia que encontrarem!

10.8.07

Para que lado fica o Festival do Sudoeste?




Nos dias do festival a vila é invadida por multidões perdidas e a precisar de um bom guia. Todos procuram o mar, a praia, a Zambujeira e até o festival – a informação divulgada pelos organizadores do evento e pelos media é incorrecta, e muitos daqueles que compram bilhete, chegam ao Litoral Alentejano julgando que o recinto do festival se situa a dois passos da praia.

O Festival do Sudoeste é uma marca ou um produto e como produto tem de ser bem vendido! Associar esta marca à Zambujeira do Mar foi uma estratégia resultante da identificação do target que consome este tipo de produto. O festival vive em função da Zambujeira e não teria a afluência e o mediatismo que tem se a sua localização surgisse relacionada com São Teotónio. Trata-se assim de uma relação onde se evidencia o Parasitismo – o festival alimenta-se à custa da Zambujeira – a sua hospedeira virtual. O parasita beneficia da hospedeira e apesar de não lhe causar a morte, debilita-a e enfraquece-a. Como este tipo de acontecimento não se compadece com o turismo tradicional e afugenta-o, o veraneio na época estival fica evidentemente comprometido.

Paradoxalmente, a freguesia de São Teotónio – a real hospedeira do parasita, não é mencionada nos outdoors, no merchandising, na publicidade ou na comunicação de produto, e nesse aspecto podemos observar um outro tipo de relação inter-específica: o Comensalismo. O comensal – São Teotónio beneficia com a relação, embora esta não lhe seja essencial para sobreviver e o festival (o hostil parasita da Zambujeira) não é afectado, poderia ser realizado aqui ou em qualquer outro lado, desde que a sua localização fosse sempre associada à Zambujeira do Mar. Como efectivo comensal desta relação, São Teotónio e a sua Junta de Freguesia beneficiam do bónus trazido pela realização do festival na sua circunscrição territorial. O comércio e os serviços beneficiam também das hordas errantes, que aqui se deslocam à procura da Zambujeira e dos excedentes – aqueles que não encontram hospedagem noutro lugar mais perto do mar.

A informação errónea facultada pelos mass media e organizadores do festival, tem dividido as opiniões em todo o concelho, muito particularmente nas freguesias visadas – São Teotónio e Zambujeira do Mar. Essa dicotomia de opiniões reflectiu-se no resultado do questionário que colocámos no blog. O questionário solicitava o parecer dos visitantes no que respeita à localização do festival do Sudoeste e as opiniões dividiram-se literalmente! Não existe consenso, mas não existirão também Gps´s ou mapas para conduzirem as multidões até ao festival, já que a informação veiculada indica uma localização errada, existirá certamente boa vontade e muita paciência para indicar verbal e gestualmente o caminho para a Herdade da Casa Branca aos milhares de visitantes que por aqui andam perdidos nesta altura.


2.8.07

O turismo que temos será aquele que queremos?



Agora que a romaria começou, todos os caminhos vão dar a São Teotónio. Desde o ano de 1997 os primeiros dias de Agosto são marcados pela realização de um dos maiores festivais do país. Inicialmente, todos concordavam que o festival traria turistas, veraneantes, visitantes e poria a região no mapa. Nessa época já a Zambujeira do Mar e os campos e praias de São Teotónio eram regularmente referenciados pela comunicação social como lugares aprazíveis, de belezas naturais bem preservadas e clima ameno, com uma cultura popular rica e uma gastronomia ímpar, que conjuga as tradições alentejanas com as maresias do atlântico.

Logo no início dos anos 90, essa divulgação nos media trouxe um novo tipo de turistas, gente que fugia dos lugares habitualmente referenciados como trendies na estação quente – gente cor-de-rosa, figuras públicas, gente que buscava isolamento, gente cosmopolita que procurava guetos reservados, exclusivos e alternativos, gente urbana que desejava individualizar-se e exaltar o ego nas noites do clube da praia, do fresco e outros bares; e na pacatez e simplicidade das nossas ruas com exaltações feéricas de théâtre et mise-en-scène, recorrendo a cuidadas produções estilísticas do guarda-roupa, gestos e atitudes esfuziantes.

A chegada destes novos turistas não passou despercebida e em pouco tempo a comunicação social começou a mencionar a Zambujeira do Mar como uma das praias mais IN do verão lusitano. A mediatização abastardou o ambiente que se vivia neste recôndito refúgio e na época seguinte os cosmopolitas e urbanos não voltaram, sendo a região ocupada por um novo tipo de turistas – os suburbanos.

Neste período a praia começou definitivamente a mudar… Na época estival a Zambujeira recebia veraneantes fidelíssimos, gentes do concelho ou provenientes de outras zonas, particularmente do baixo e do alto Alentejo e da região de Lisboa. Eram grupos familiares, pessoas que se conheciam desde há gerações e que ali se reuniam anualmente “a banhos”. Com a chegada dos indivíduos suburbanos inicia-se a descaracterização da pacatez e serenidade, dos hábitos e tradições do verão na Zambujeira. Nos primeiros anos a maioria dos habitués fez finca-pé e manteve-se incólume julgando que a invasão seria passageira, todavia o lançamento do Festival do Sudoeste foi o pronuncio do fim da Zambujeira perfeitamente esquecida e maravilhosamente perdida num dos últimos paraísos do continente lusitano.

A implementação do festival não dividiu opiniões, era quase consensual que “seria bom para a terra” traria visitantes, turistas, viajantes, veraneantes, consumidores, oportunidades de negócio, publicidade para a região, desenvolvimento e progresso!
Quando os veraneantes habituais começaram a abandonar a praia, embora desgostosas a maioria das pessoas permaneceu firme julgando que as novas multidões trazidas pelo festival compensariam (e de que maneira!) a ausência e desistência dos antigos. Havia até quem julgasse que a seguir à primeira semana de Agosto, se iniciaria a pacatez que todos ansiavam e os habitués retornariam para desfrutar o verão na sua plenitude.

Com o passar do tempo a lucidez apoderou-se das opiniões, e as pessoas começaram a ver com clareza todas as implicações do festival. Houve contudo uma época, em que se falou que a empresa organizadora do sudoeste não entrava em acordo com o proprietário do terreno onde se realiza o festival – a Herdade da Casa Branca e estava aberta a hipótese do festival ser realizado noutra zona. Nessa altura as opiniões vacilaram! "Perder o festival para outra zona??? Não pode ser!" Certo é, que o festival se manteve por cá, para alegria e contentamento de alguns, mas hoje fala-se novamente no seu fim, agora de uma forma definitiva.

O Festival do Sudoeste tem sempre sido o palco de controvérsias e acesas discussões. A freguesia, as praias, os campos, as ruas, as estradas, o comércio, as hospedarias, o parque de campismo, os restaurantes e cafés são invadidos por multidões ávidas de consumo – consumo barato mas intensivo. Acomodam-se como podem, escolhem os alojamentos mais económicos ou se possível gratuitos (campismo selvagem, dormidas na praia, no campo ou no carro). A limpeza corporal é feita nos banhos públicos, no canal, nas ribeiras, nas fontes e na praia. A alimentação é parca (tem de sobrar dinheiro para a bebida y otras cositas más), comem o que podem e não como devem, e escolhem a ementa em função do preço! Quem são??? Caracterizá-los seria um exercício digno de um sociólogo, antropólogo ou psicólogo muito paciente, desocupado e sem outras tarefas mais interessantes com que se ocupar. São uma fauna miscigenada, gente estranha, bizarra e tétrica, aspecto terrífico, aromatizada por intensos odores corporais, trajes e adereços reveladores de pertenças ou simpatias por movimentos e tendências lúgubres tipo góticos, trances, rastas & afins. Grupos fabricados pela suburbanidade e pela iliteracia reinante no país, pessoas que procuram sair da indigência social e cultural buscando referências em imagens, códigos, dialécticas e manifestos miseráveis e vazios de conteúdo, que incitam a estilos de vida marginais e pouco consentâneos com os modelos organizativos da sociedade produtiva, geradora de desenvolvimento e de riqueza.

Começam a chegar nos últimos dias de Julho e ficam até onde é possível esticar o dinheiro, certo é que alguns conseguem ficar o resto do verão. As praias e os campos são totalmente assolados por estas pessoas, porém com o passar dos dias começam a esvaziar-se, mas o resultado deste impacte mantém-se! O lixo, os despojos, as sobras, as consequências e os danos ficam e aqueles que prezam esta terra lamentam! O festival fez disparar os preços dos alojamentos e dos bens de consumo, aliciou para o lucro fácil e incrementou a especulação imobiliária na sua pior vertente.

Não queremos ser um segundo Algarve, mas isto é pior do que as piores zonas do Algarve (a praia de Quarteira tem ou não tem melhores inquilinos nesta época?). Reclamamos um turismo de qualidade, direccionado para segmentos de mercado heterogéneos, mas com elevados níveis de exigência, onde a quantidade e a ocupação massiva seja preterida em função da qualidade, unicidade e singularidade de empreendimentos planeados de modo equilibrado e sustentado, e que se harmonizem com as características naturais, culturais e sociais da região.

Fala-se de resorts, golfes e empreendimentos destinados a clientelas selectas e endinheiradas, mas será essa a solução para a qualificação da oferta turística na região? Tantas autarquias que já licenciaram esse tipo de projectos e hoje opõem-se veementemente a esses investimentos megalómanos que estagnam a economia local pela sua natureza de autênticos colunatos onde tudo existe para satisfazer o turista, sem que se verifique uma relação de reciprocidade entre esses guetos de luxo e o território onde se implantam. Muitos desses golfes e resorts, são também formas disfarçadas de fazer loteamentos e condomínios fechados. Desta forma, esses pseudo-loteamentos são aprovados em muitas zonas do país sob a capa de empreendimentos turísticos contornando algumas brechas da legislação. Seguramente não desejamos a ocupação massiva da nossa região, todavia esse turismo de luxo que tanto se fala… será a melhor solução? E se for essa a derradeira solução será que os mamarrachos que hoje vimos construir; o mau planeamento urbano; as multidões do festival de sudoeste; as carências em infra-estruturas básicas e cuidados de saúde e a fraca qualidade das poucas vias de comunicação, se compatibilizam com esses édenes fabricados pelo dinheiro? Ou será que vai acontecer o mesmo que no Algarve? Resorts, hotéis e aldeamentos turísticos de luxo onde o turista tem de vendar os olhos sempre que sai desses paraísos idílicos, porque tudo o resto é muito mau – mau urbanismo, mau ordenamento, mau paisagismo e má arquitectura.

O que acontece aqui, é que esses grandes empreendimentos turísticos ainda estão na fase de projecto e aquilo que é construído actualmente pelos pequenos promotores é nefasto e compromete seriamente o sucesso dos investimentos vindouros. A descaracterização urbana e arquitectónica começa a acentuar-se e na Zambujeira do Mar chega a ser calamitosa!

Há quem diga que o resultado das imprudências cometidas ao longo dos anos no ordenamento do território deste país tem a ver não só com a iliteracia do povo, com a gula e avidez dos promotores e construtores mas também com a ignorância, pelintrice e pedantismo dos indivíduos que se colocam em certos cargos políticos, muito particularmente nas autarquias. São pessoas com pouca visão, pouco letradas, sem cultura, sem gosto, quando detentoras de algum diploma universitário pertencem na maioria das vezes à primeira geração que estudou na família, e não se fazem rogados… exigem tratamento diferenciado! Ainda que muitos tenham obtido classificações medíocres ou sem brilhantismo, concluindo bacharelatos e licenciaturas de qualidade duvidosa, frequentemente em universidades privadas ou públicas de 5.ª categoria e não tenham sequer feito mestrado ou doutoramento, são todos doutores e quando o não são pertencem à Ordem dos Arquitectos ou dos Engenheiros ou à ANET (só o nome assusta! Associação Nacional de Engenheiros Técnicos). Agarram-se ao cargo com "unhas e dentes" e sempre que têm oportunidade enfiam a família e os amigos em empregos no sector público através de concursos expressamente elaborados para esse efeito!

Com o tempo o cargo ofusca-os e excedem-se, (“nunca sirvas quem serviu, nunca peças a quem pediu”) gente proveniente do povo começa a ser idolatrada e bajulada pelo povo e muito particularmente por investidores que não se importam de pagar uns cobres a mais para licenciar aquilo que mais dinheiro render.
No princípio há alguns resistentes que procuram respeitar integralmente os regulamentos e as premissas que inicialmente propuseram no programa do mandato, com o nobre propósito de melhorar a qualidade urbanística dos concelhos. Todavia, "quanto mais se tem, mais se quer", e se antes auferiam um salário de miséria, com conquista do cargo público ou político dão pulos de contentamento nos primeiros meses de vencimento, mas com o passar do tempo aquele dinheiro ao fim do mês torna-se insuficiente e as propostas dos construtores e investidores tornam-se tentadoras. No final todos vergam! Cada um ganha o que pode, de forma discreta e imaginativa. Organizam jantares em recantos muito esconsos de restaurantes dos arredores, planeiam contornar os PDM’s e demais regulamentos (fazendo tudo dentro da lei! como é vulgar dizerem).

Inicialmente, nos primeiros contactos disfarçam a ansiedade pelas comissões, resistem, dificultam, opõem-se às ideias do promotor, pedem para reduzir aqui e ali no projecto. O investidor compra o terreno a pensar que pode construir 100, mas o presidente, o vereador ou os arquitectos e engenheiros dizem que só dá 50… Assim, conseguem aumentar o valor do prémio, dificultam e dificultam, mas depois de uns jantares, de uns telefonemas fora de horas, de uns cheques, umas viagens, uns carros, uns terrenos, umas casas ou apartamentos, aquilo que dava para construir 100 já permite 120, estica-se a área, o número de pisos e o número de fogos, o promotor faz também umas cedências e oferece-as ao concelho para ficar bem na fotografia e tranquilizar a consciência dos corruptos e tudo se resolve à custa daquilo que todos nós sabemos! Do balanço, fica tudo o que nós conhecemos… os senhores que trabalham nas autarquias ganham, os donos dos bancos ganham com os financiamentos, os promotores dos investimentos ganham e Portugal continua a perder!

As pessoas erradas ocupam os lugares chave neste país, desconhecendo a dualidade intrínseca de dois conceitos muitas vezes opostos – crescimento e desenvolvimento, para haver desenvolvimento tem sempre de haver crescimento sustentado e estruturado. Aquilo que ambicionamos e merecemos é uma região salvaguardada e protegida do crescimento rápido e destrutivo – que enriquece rapidamente alguns e compromete o desenvolvimento futuro de todos e de Portugal. Desejamos investimentos que não tragam apenas riqueza para os promotores, mas também para a região, que fomentem o desenvolvimento equilibrado, que potenciem a qualidade de vida, que se compatibilizem com o património edificado, natural e cultural, que se projectem na modernidade respeitando a morfologia urbana das vilas, os modelos vernaculares de ocupação do território e os valores padrão da arquitectura tradicional. Ambicionamos o retorno dos antigos veraneantes e a chegada de novos turistas, exigentes e com gostos sofisticados que incitem o desenvolvimento e qualificação do sector terciário e de toda a economia da região. "Cada um tem aquilo que merece" e... o turismo que temos poderá ser aquele que merecemos, mas não será seguramente aquele que queremos!

29.7.07

FACECO 2007 - São Teotónio dans sa grandeur!


Mais uma vez São Teotónio foi o epicentro de um acontecimento cultural à escala planetária. A Faceco trouxe milhares de pessoas até à freguesia e o público só lamentou a curta duração desta mostra anual. No ano passado os organizadores prometeram mudanças e em 2007 cumpriram essa promessa!

Desde há largos meses era sussurrado entre as mais altas esferas da política local que as atracções deste ano iriam deixar o público atónito, suspeitava-se assim que a FACECO’ 2007 seria assombrosa!

A temática do certame incidiu na multiculturalidade e no recinto desfilaram os melhores exemplares resultantes da miscigenação, selecção, apuramento e cruzamento de raças e culturas. Foi um tremendo e insólito bouillon de culture, devidamente apreciado e degustado pelos visitantes!




20.7.07

FACECO 2007




A Feira das Actividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira foi inaugurada ontem!

Esperamos que os organizadores e expositores consigam surpreender os visitantes…
Afinal de contas somos um público peculiar e muito especial! Somos ou não somos?!

18.7.07

HOT PARTY – 14.07.07 – HOT PARTY


Vive la Bohème! No fim-de-semana passado os bloguistas organizaram uma festa de lançamento e apresentação do blogue. A festa iniciou-se ao fim da tarde e só acabou na manhã seguinte. O tema da noite foi o Cromo Lusitano e o dress code solicitava o uso de pelo menos uma peça de roupa old-fashioned ou démodé.
O monte onde se realizou o evento foi decorado com imagens dos primeiros posts e outras "cromices"; e foram disponibilizados oito computadores para que os mais curiosos pudessem visitar o blogue. Durante a noite surgiram diversas ideias para novas postagens e alguns dos convidados ofereceram-se para colaborar na elaboração de textos e recolha de informação.

Ao longo do primeiro mês de existência do blogue temos recebido emails de leitores que pedem uma secção dedicada à intensa e atípica vida social de São Teotónio. Para dar resposta ao mais ávidos consumidores de assuntos sociais, anunciamos que em breve contaremos com a colaboração de uma amiga muito especial na abordagem de temas cor-de-rosa!

Agradecemos a todos os amigos que aceitaram o nosso convite, o seu contributo para a realização da festa mais quente dos últimos tempos no sudoeste! Um agradecimento especial para aqueles que vieram de Lisboa e de Cascais e para a Lú do catering e um beijo para a amiga e futura colaboradora que nos presenteou com a sua ofuscante presença!

7.7.07

07.07.07







O público votou! O público decidiu e a sua decisão é inequívoca! Contra factos não há argumentos e as regras do concurso impõem total imparcialidade por parte do júri. Como jurados resta-nos revelar o desejo dos votantes!

A Maravilha vencedora é… a colossal, a titânica, a grandiosa, a desmedida, a excêntrica, a extravagante, a imponente, a inigualável, a inimitável, a irrepetível, a irreplicável… TORRE DO FERREIRA!!!

6.7.07

As Maravilhas de São Teotónio






Não sabemos bem porquê mas a palavra maravilha tem um certo toque de pindérica, por conseguinte julgamos que se adequa perfeitamente para qualificar os participantes de tão nobre concurso. Embora constem apenas sete maravilhas na lista, reconhecemos que na freguesia existem muitas outras elegíveis. Todavia, após diversas reuniões o júri deliberou submeter à votação do público: a torre do ferreira; a escola de condução; o repuxo do Quintalão; o PT da igreja; a calçada da avenida das escolas e os cromos são teotonienses. O júri fundamentou a sua escolha no carácter único, distintivo e emblemático dos concorrentes, considerando que a história particular de cada um se entrecruza com a gesta gloriosa da vila.

A Torre do Ferreira foi construída na segunda metade do século XX. A sua traça é atribuída ao mestre-de-obras Ferreira, especialista em tábuas, estofos e afins. A contemporaneidade deste colosso é marcante e os historiadores de arte e de arquitectura têm dificuldade em classificá-lo, há especialistas que afirmam ser autoconstrução, outros estudiosos associam-no às AUGI – Áreas Urbanas de Génese Ilegal, outros porém sugerem que a sua qualificação deve integrar-se no Movimento Nacional da Construção Precária. Alguns peritos descrevem este monumento como o introdutor do Estilo Megalominimal, onde a grandiosidade das formas desmedidas se associa a uma forte depuração decorativa, revelando a essência das matérias construtivas e a pureza dos materiais em tosco como os tijolos, os elementos estruturais e o ferro, abdicando de elementos supérfluos ou acessórios, como rebocos, cantarias, caixilhos ou vidros.

A construção da Escola de Condução iniciou-se nos finais do século passado. O estilo é extraordinariamente rebuscado, muito característico e representativo da Arquitectura Florescente Portuguesa. A sua edificação teve por base o esforço hercúleo desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, já que a elevada complexidade da sua traça, exigiu a cooperação dos projectistas, dos licenciadores camarários, dos mestres-de-obras e dos promotores do investimento.

O Repuxo do Quintalão é mais uma obra paradigmática da erudição artística nacional, com compleição assumidamente fálica, a sua delicada robustez escultural implicou um grande exercício de enquadramento na envolvente. A primeira intervenção revelou-se desadequada e o desenho urbano do Quintalão foi totalmente repensado para reenquadrar esta escultura. Deste modo, ao fim de vários anos e de alguns milhares de contos as primeiras obras realizadas foram demolidas no sentido de reordenar o largo em torno do seu eixo vibrador “o Falo Ejaculatório”. Esta obra tem contribuído para a melhoria da qualidade de vida dos São Teotonienses que se socorrem dela com frequência, a ponto de as suas dimensões estarem a diminuir pois o tronco revela uma retracção dimensional esmagado pelo uso compulsivo da cabeça.
A primeira erecção desta escultura iniciou-se nos anos oitenta do século passado e foi uma das obras fundadoras do Estilo Nacional Vamos Fazer na Rotunda e no Espaço Público uma Obra Pindérica para Arrecadar Votos e Imortalizar o Nome numa Placa Inaugural.

O Posto de Transformação da Igreja foi erigido na década de noventa do século XX e representou o culminar de um longo processo de requalificação e restauro do espaço religioso. A sua edificação deve-se ao esforço da população que em acesa reunião na Casa do Povo, revoltou-se e exigiu que o projecto que previa a inserção de um PT no Quintalão fosse repensado. A populaça gritava que o PT era perigoso pois iria ser colocado na proximidade das habitações e a sua fealdade desfigurava o espaço público. No sentido de satisfazer os desejos do povo e auferir uns trocos o padre manecas idealizou uma obra sublime – a anexação do PT à Igreja. Embora perto do casario, o engenhoso padre contactou a NASA e encomendou uma paredes “espaciais” que impedem a transmissão de radiação. Os americanos levaram todo o dinheiro que o padre havia sacado na negociata, mas o desejo de agradar a população levou-o a fazer “o PT mai lindo das redondezas!”.
Esta obra-prima insere-se no Estilo Português do Vamos Decalcar a Obra Antiga e o seu mimetismo estende-se aos mais ínfimos pormenores, havendo até o cuidado de ocultar a inevitável frase do “Perigo de Morte”.

A Pseudocalçada da Avenida das Escolas é mais uma obra pioneira do Estilo Nacional Vamos Fazer na Rotunda e no Espaço Público uma Obra Pindérica para Arrecadar Votos e Imortalizar o Nome numa Placa Inaugural. Iniciada no período do pós 25 de Abril, esta obra teve a liberdade de desafiar as convenções artísticas da época, sendo uma verdadeira lição para o ideário de futuros intervenientes na vida política e social. Esta intervenção trouxe consigo a ideia revolucionária de que o trabalho de calcetar era humilhante e os homens querem-se a trabalhar em pé e não curvados e acocorados partindo pedra e dilacerando as mãos. Abriu-se assim um magnânimo precedente e nunca mais foram executadas calçadas nos arruamentos da vila. Na senda dessa exaltação revolucionária os arruamentos são agora asfaltados e evitam-se os passeios porque se deve fazer a apologia dos popós. Todavia, sempre que é necessário executar um passeio, ele é feito em cimento ou em blocos de betão.

Este passeio é único e os segredos da sua execução nunca foram revelados. A sua textura confere-lhe uma riqueza muito particular e todos os remendos efectuados posteriormente não conseguiram recriar a autenticidade dos detalhes decorativos. A ornamentação foi elaborada por "mestres texturadores" que curiosamente disponibilizaram-se a acocorar e deram início a uma dificultosa e longa empreitada. Tão longa, mas tão longa que as estimativas revelam que o tempo que demorou a sua execução daria para um homem calcetar duas vezes a baixa pombalina.

Os obreiros deste passeio abdicaram de moldes de modo a obter uma textura mais autêntica – resultante do repetido e incessante gesto de martelar o martelinho dos bifes no cimento. Os ilustres projectistas de tão sublime obra, colocaram "mestres paisagistas" ao lado dos texturadores. O resultado foi magnificente, todo o passeio foi enriquecido com canteiros que dificultam a passagem dos transeuntes de modo a adequar-se à tendência que existe na vila para se realizar faixas de circulação para os popós esquecendo os peões.

Os Cromos Lusitanos Teotonienses são o símbolo da etnologia Teotoniense. Para um melhor entendimento dos fundamentos que levaram o júri a colocá-los na lista de elegíveis recomendamos a leitura do conto inaugural intitulado “Vamos lá falar a sério!”.


Os resultados da votação serão revelados… AMANHÃ! O truque é votar!

Eleja a sua MARAVILHA! VOTE!















































































































4.7.07

Bora lá saltar a fogueira!



A 13.ª edição do Festival dos Mastros poderá ter ficado para a história como a “azarada”! Terá sido coincidência ou então o São Pedro e o Santo António andam de “candeias às avessas” – ainda os papéis estavam a ser colocados e já o céu ensopava o Verão que tardava em vir! A primeira grande festa da 13.ª edição dos mastros por coincidência nas celebrações do dia 13 de Junho, ficou comprometida, mas tudo se resolveu de improviso. Pelas ruas escorria água colorida com pigmentos dos papéis murchos e debotados que com o peso e a força do vento começaram a cair. As previsões meteorológicas eram pouco animadoras e os ânimos andavam em baixo mas… “quem espera sempre alcança” e a teimosia dos folgazões saiu vitoriosa, mal a chuva parou os arrebiques foram montados a preceito.

Pelo número de edições realizadas até hoje é possível adivinhar que esta festividade tem um passado curto na freguesia, contudo esta “moda” trazida sabe-se lá donde, parece que veio para ficar! É certo que montar os enfeites dá trabalho e que muitos dos que tiveram a paciência de contribuir nos primeiros festivais já foram para o lar ou quiçá para o outro mundo. Talvez por isso, esta festa tenha começado por ser anual e ao fim de alguns anos tenha passado a realizar-se bianualmente.

Quem passa por São Teotónio não fica indiferente à euforia dos ornatos e cores que adornam o espaço público. A profusão de enfeites garridos bem ao gosto popular, folclórico, naif, kitsch ou sabe-se lá qual… convida a “clicar” o botão da máquina fotogáfica ou do telemóvel para sacar umas fotos jeitosas. O povo gosta daquilo e… “ao povo dá-se pão e circo”! Deste modo o povo ganha umas resmas de papéis coloridos para durante vários meses se entreter a cortar, a colar e a montar penduricalhos. Finda a festa – fica o exemplo das decorações na envolvente da igreja que foram executadas a partir da reciclagem de papéis e embalagens por jovens da freguesia. Um exemplo que poderia estender-se a todas as decorações dos futuros festivais – a malta reciclava e o estado poupava uns cêntimos.

Para trás fica esquecido um passado de tradições ancestrais que se irão perder na memória de todos nós! O progresso tem destas coisas e a subversão da verdade pode ser uma delas. Os forasteiros mais desatentos julgarão que estes festivais serão uma tradição enraizada na nossa cultura. Desenganem-se! Isto veio com o asfalto! Alguém se lembra das ruas empedradas em São Teotónio? Não queremos fazer a apologia do passado, mas… as ruas eram bem mais genuínas! Os carros trouxeram o asfalto e o asfalto apagou as fogueiras dos Santos Populares. Alguém se lembra das fogueiras? Do cheiro do alecrim, do rosmaninho, das perpétuas e dos matos a arderem nas ruas? Dos putos a saltarem e a fazerem negaças entre si para ver quem tinha a maior fogueira? Dos mastros enfeitados com flores e ervas dos campos? Das idas à fonte a cantar? Das cantigas que só nós cantávamos, do jeito como dançávamos e dos versos que só nós dizíamos? Do misticismo dessas noites? Dos bruxedos e adivinhações que se faziam no fogo? Essa era a nossa tradição! A autêntica! A genuína!

O alcatrão invadiu a vila, os poucos passeios são em cimento ou em blocos de betão. Mas ainda restam umas pedras e alguns terreiros onde é possível acender umas fogueiras. Se pensarmos bem, a moda dos papéis coloridos tem muito pouco de ecológica… já a queima dos matos secos… é outra conversa!!! Por coincidência ou talvez não… a limpeza das florestas coincide com o início da estação seca e era exactamente nessa época que se queimavam os matos nas fogueiras dos Santos Populares!

É certo que o povo se rendeu e os enfeites garridos são engraçados, atraem gente de fora e ficam bem na fotografia, mas… será que não dava para fazer um “dois em um”??? Que tal pormos os miúdos e os graúdos a reciclar papéis, embalagens e monos para enfeitar a vila e a apanhar matos secos para as fogueiras? Enfeitavam-se as ruas e reabilitavam-se as velhas tradições? Esperamos que alguém segrede este nosso desejo a quem manda…

30.6.07

O primeiro Salão Erótico de São Teotónio terminou em apoteose com a exibição das atracções locais!









O Salão Internacional Erótico de São Teotónio – FACEXO’ 07 decorreu no mais importante local de exposições da freguesia. Logo após o encerramento do Salão Erótico de Lisboa, os empresários da indústria do erotismo e da pornografia rumaram ao sul para mais um evento, com a participação de beldades nacionais e internacionais. Os promotores do certame prometem voltar em 2008 revelando à comunicação social que os pavilhões foram pequenos para tamanha afluência e afirmando que a feira de Lisboa foi um êxito, mas a de São Teotónio foi um êxito estrondoso! Ao longo de três dias os visitantes foram presenteados com iguarias, odores e visões alucinantes, entre muitas destacamos as atracções que elevaram a lascívia acima dos quinze centímetros:


- Azenha do Mar; Malavado; Barranco do Inferno; Sardanito; Selão; Encalhe; Relva Grande; Choça; Cruzamento e Sobreirinho.






































































































28.6.07

Broadcasting the universe from the other end of the world!














RADIOBLOG SÃO TEOTÓNIO

http://www.sao-teotonio.blogspot.com/


“La movida” não pára! O som digital chegou para animar os leitores do blog.

A selecção de ritmos promete agitar aqueles que se atrevam a visitar-nos!

Aos melómanos fica a promessa de mais tarde virmos a organizar periodicamente

emissões especiais com clássica, blues, jazz, vintage e new & exprimental tendency.

22.6.07

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: Tomatadas no Largo do Quintalão!


Os autores do blog www.sao-teotonio.blogspot. com / sao-teotonio.blogs.sapo.pt foram expostos à humilhação pública! Os São Teotonenses sentiram-se ultrajados com os recentes relatos publicados pelos blogueiros no seu conto inaugural.

A sentença realizou-se no Largo do Quintalão. Na falta de um pelourinho, as milícias populares aproveitaram o mastro ali colocado para as Festas de Junho. Os blogueiros foram então amarrados ao pelourinho improvisado e a população em fúria arremessou-lhes toneladas de tomates.

Quando foram convidados a retratarem-se e a retirarem de circulação os posts com comentários jocosos, os blogueiros afirmaram que iriam manter o texto e que o escárnio e maldizer é um paradigma da cultura local – logo nunca deveria ser censurado!

“Que atire o primeiro tomate aquele que nunca foi maldizente!!!” gritavam os blogueiros ao tentarem acalmar a ira do povo!

Como os dissidentes teimam em reiterar novas publicações insidiosas, esperam-se novos desenlaces neste braço-de-ferro que ainda agora começou…

Como diz o Zé-povinho: "Obrigados, obrigados e muito obrigadosss!"



Agradecemos a todos os visitantes do nosso blog a paciência que tiveram em ler o primeiro conto que postámos! Sendo este um espaço aberto a todos os que queiram intervir, é com apreço que deixamos registados todos os comentários dos participantes. Aceitamos sugestões e ideias para novas histórias.

Salientamos porém que sendo este blog destinado a fantasiar e brincar com o quotidiano da nossa terra, vamos manter o nível! Serão excluídos todos os comentários ordinários contendo linguagem obscena!

Aos mais serenos e aos mais azedos fica o convite para seguirem os nossos enredos… Atrás de uns outros virão!

19.6.07

Agora vamos lá falar a sério!

















Estamos no ano de 2007 D.C. toda a Europa se encontra ocupada por uma casta dominante caucasiana, dolicocéfala, com compleição Nórdica, Faélica, Celta, Báltica, Lapónica, Dinárica, Alpina, Atlanto-Nórdica ou Atlanto-Mediterrânea, estatura média acima de 1,70 m, Q.I. médio acima de 120, letrada, maioritariamente cristã ou ateia, astuta, dinâmica, empreendedora… Toda a Europa? Não! Um pequeno País povoado pelos irredutíveis portugueses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários da Finlândia, Noruega, Suécia, Inglaterra, Alemanha, Holanda… é que os portugueses desde a infância manifestam uma neurastenia crónica que os entorpece progressivamente. É neste País que encontramos uma espécie vulgarmente chamada de Cromo Lusitano, Caucasiano do tipo Mediterrânico, braquicéfalo, moreno, peludo, estatura média de 1.65 m, Q.I. médio abaixo de 90, iletrado ou vagamente alfabetizado, católico não praticante, néscio, preguiçoso e temeroso…

É na região de São Teotónio que se encontram alguns dos mais puros exemplares desta curiosa espécie. Exibem orgulhosamente a face trigueira coberta de pêlos… os machos com barba e bigode, as fêmeas com buço e soberbas sobrancelhas por vezes ligadas em “monocelha”. Os restantes pêlos corporais são exibidos pelos machos através de camisas abertas e mangas arregaçadas, donde reluzem relógios, cordões e pulseiras com berloques de índole religiosa ou pagã. No caso das fêmeas os pêlos são menos perceptíveis, contudo desde a infância recorrem à famosa gillette para fortalecer o folículo piloso, servindo-se de mini-saias, blusas de alças, biquínis e de todos os truques possíveis para ostentar a sua lanugem.

O gosto por adornos reluzentes é também uma particularidade desta raça, os machos recorrem também ao uso de anéis sob a forma de cachucho em mãos tratadas de modo a que o dedo mínimo tenha a unha comprida escrupulosamente cortada em forma de amêndoa. Já as fêmeas usam todo o tipo de adereços num mix de prateado e dourado e nos dedos costumam exibir todos os anéis que coleccionam ao longo da vida, as mais coquetes usam as unhas compridas pintadas com cores berrantes ou brancas “à francesa”.

Os estudos etnológicos apontam que o Cromo Lusitano Teotoniense é um actor nato. Na infância quando obrigado a frequentar a escola finge que estuda, em adulto simula que trabalha. Em regra na adolescência emancipa-se iniciando a representação a tempo inteiro. Com o diploma do 9.º ano oferecido pelo Estado, começa a dedicar-se aos biscates na construção, no comércio e na lavoura, o seu objectivo é tornar-se patrão para não ter de esforçar-se a fingir que trabalha. As fêmeas têm de cuidar das crias e dos machos, contudo revelam-se bastante activas na verbalização – desde a aquisição da linguagem na mais tenra infância são iniciadas na arte do corte e costura por alcoviteiras diplomadas. Os machos também se dedicam a esta prática e quando lhes falta o ânimo, as fêmeas costumam atiçá-los, pois a cultura e a tradição oral devem ser preservadas.

Os exemplares com o estalão mais genuíno desta raça ancestral podem ser observados no Quintalão, sentados no banco da censura. O banco da censura é um lugar supremo da cultura teotonense, o ócio e a coscuvilhice misturam-se num monumento local. As fêmeas preferem alcovitar nas mercearias, nas ruas ou nos poiais. Sendo os cafés e pastelarias lugares de eleição de ambos os sexos para a expressão destas artes tão nobres.

É na adolescência que começa o acasalamento, nascendo as primeiras crias em regra quando os progenitores ainda não saíram da escola. Os primeiros contactos iniciam-se com o debute nos bailes da freguesia. Os jeans domingueiros, as peúgas pé-de-gesso, os ténis de marca, os cabelos com gel “penteados à man”, fazem saltar as hormonas das moçoilas também elas produzidas a preceito para a ocasião. Os rituais de acasalamento começam em recantos públicos pouco frequentados e sempre que a moça é fecundada inicia-se a fase de aceitação, em que o casal procura que a família de ambos se adapte a esta nova condição. De um modo geral esta fase gera algumas crispações, não é raro observarmos os patriarcas e as matriarcas – machos ou fêmeas alfa dominantes envolverem-se em disputas ou repudiarem o jovem casal. Nos clãs mais ortodoxos a jovem fêmea é agredida, expulsa do seio familiar e entregue à sua sorte pois o companheiro também tende a abandoná-la. Os mais hábeis recorrem facilmente à técnica do fingimento que desde a infância começam a dominar, é um período difícil e a aceitação da família é fundamental para que a cria nascitura possa sobreviver. Os estudos demonstram que a patranha mais eficaz passa por engraxar a família e marcar rapidamente o casório… ao fim de sete meses nasce o rebento prematuro.
Cada nascimento anima a comunidade que se amontoa na alcova do casal para “tirar as medidas” ao rebento. A vida social do jovem par torna-se cada vez mais animada e o baptizado da cria habilita o rebento a fazer a comunhão. Como bons católicos não praticantes, ao consumarem o ritual da comunhão saem do templo para só voltarem como convidados para cerimónias ou no dia do próprio casamento, fora essa excepções só regressam à igreja mortos e levados por alguém.

Em toda a Lusitânia se observa uma neurastenia generalizada… cientes desta sua peculiaridade os indivíduos dedicam-se a cultivar o maior divertimento nacional – ver televisão no sofá ou na cama. Entre os programas favoritos está o futebol, embora cansativo dá para fazer algum exercício gesticulando e vendo os jogadores estrangeiros a correr, porque os lusitanos buscam os habituais subterfúgios para enganar o árbitro. Já as fêmeas preferem as telenovelas com enredos simples que retratam a vida que elas tão bem conhecem. Sempre actualizados, os Cromos Lusitanos folheiam jornais e revistas com imagens grandes, e assistem aos noticiários que desfiam os constantes fiascos resultantes da natural inaptidão destes curiosos seres.

Os concursos e sorteios são um êxito neste pequeno território, o lucro fácil e a procura de sobreviver sem esforço, fazem do totoloto, do totobola, da raspadinha e do euro-milhões para os mais ambiciosos um verdadeiro fenómeno de culto. O Cromo Lusitano Teotoniense inicia-se nestas jogatinas logo na infância, nos contratos na Páscoa a ver se açambarca uns bons pacotes de amêndoa, nos brindes dos cafés e nas rifas da quermesse.

Nos tempos livres o Cromo Lusitano Teotonense gosta de mandriar na praia, deitado e amolecido pelo sol, observa as garinas nativas e as “kamones” ou “estrangeras”, exibindo o seu característico bronzeado “à trolha” onde melanina escurece a pele nas áreas mais expostas pelo vestuário, coincidindo naturalmente com zonas de maior cobertura pilosa – a face, o pescoço, o peito e os braços. Já os machos mais idosos contentam-se com uma sesta à sombra do chaparro, indo à praia apenas no “vintenove” e tomando um banho de mar vestidos para não cansar muito como manda a tradição.

É no sul do rio Tejo que observamos os exemplares mais vagarosos, contudo o Cromo Lusitano Teotonense não reconhece esta sua característica. Julga-se astuto e trabalhador, não perdendo a oportunidade de avisar todos os que o desafiam gritando no dialecto local:
- “Sã Titóino nã drome!”.

A sonolência nesta raça aumenta com a idade, é nos exemplares mais idosos que encontramos os maiores índices de letargia. Em média o Cromo Lusitano tende a viver menos do que a casta europeia dominante. Para contrariar essa tendência, o Cromo Lusitano Teotoniense procura aumentar a longevidade, ingerindo uma poção que afirma ser milagrosa logo pela manhã em jejum para “matar o bicho” – a aguardente de medronho preparada na região. É com esta potente poção que o cromo atinge o pico de rendimento da inércia, pois a sua ingestão fomenta o entorpecimento generalizado atingindo os membros superiores e inferiores, bloqueando o raciocínio e as fracas capacidades cognitivas. Entre os indivíduos mais jovens é comum o uso de novos tratamentos importados, como a cerveja, os shots, uns riscos de pó ou umas passas. Porém, as faixas etárias mais elevadas recorrem com mais frequência ao tratamento com a poção tradicional ou a um tintol bem aviado.

É na velhice que o Cromo Lusitano atinge a sua plenitude. A aposentação é o objectivo de uma vida, porque fingir que trabalha provoca um grande desgaste. Os mais ardilosos procuram antecipar a reforma, recorrendo a truques como auto-mutilação ou amputação entre outros, de modo a possuírem finalmente um atestado de incompetência para a realização de actividades laborais. Com a aposentação o Cromo Lusitano já não necessita de disfarçar o ócio, assume perante a sociedade essa especificidade do seu curioso carácter.

Ao conseguir a reforma, o Cromo lusitano Teotoniense procura levar uma vida tranquila e sem sobressaltos, o medo da doença e da morte, levam-no a “jogar pelo seguro”. O problema não é a morte, mas sim a trabalheira que dá morrer! As doenças, os médicos, os exames, a farmácia, o hospital que fica para lá do sol-posto (neste caso do sol-nascente)… Se a morte teima em chegar e a doença não o larga os trabalhos são redobrados! Torna-se então católico praticante ou pelo menos mais assíduo! Faz promessas, confessa-se, manifesta arrependimentos por erros e pecados da juventude, implora benesses dos céus. Lembra que aprendeu na catequese que a morte é uma passagem para a vida eterna… VIDA ETERNA? Aiii!!! Isso é uma nova “trabalhera”, só de pensar nisso fica agastado… Ou será o descanso eterno? O descanso eterno já soa melhor! Começa então a frequentar todos os velórios e enterros para entender melhor este último estádio da vida que conhece, e apercebe-se que não parece nada mal. Reflecte então:
- “Enfim tudo acaba da melhor forma… deitado e a repousar! Mas afinal porque é que chora aquela gente que cá fica ?”.